quarta-feira, 19 de agosto de 2009

E o Lula tinha razão

Alguns meses atrás nosso popular Presidente apareceu nas manchetes de todos os jornais com a famosa frase: “Sarney não é uma pessoa comum”.

O interessante disso tudo é que ele tinha razão.

Não caro leitor, não concordo com esse tipo de pensamento, ao contrário, sou do tipo “careta”, e acredito naquilo que está escrito num certo livro (que geralmente possui a mesma cor da nossa bandeira) que relata de forma poética que “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza ...”

No entanto, o que ocorre na prática é bem diferente daquilo que sonhou o Poder Constituinte, e vemos na prática que as pessoas não são tão iguais assim perante a lei.

Se você está se perguntando o motivo pelo qual digo isso eu já explico.

Certo dia, um cliente me ligou, perguntando se havia resolvido o seu problema, e quando é que ele estaria recebendo os valores a que teria direito. Valores esse que o nosso bondoso Governo repassa com finalidade de se manter popular, digo, que tem por finalidade prover os mínimos sociais através de um conjunto integrado de ações de iniciativa pública e da sociedade, para garantir o atendimento às necessidades básicas.

Relatei a esse meu cliente que faltava conseguir agendar o atendimento num certo órgão, mas, devido a tecnologia, esse atendimento só poderia ser feito via internet, e ao tentar fazê-lo recebia sempre o mesmo pedido de desculpas, alegando que não seria possível atender àquela solicitação.

Antes que falem o que não sabem digo logo, é possível fazer o famigerado agendando de outra maneira, no entanto, devido a “problemas operacionais” não teria outra maneira de consegui-lo.

Depois de alguns minutos de explicação o cliente satisfeito desliga o telefone, e eu esqueço dos fatos e coloco a minha atenção numa pilha de papéis que estavam em cima da minha mesa, tudo organizado por ordem cronologicamente e de importância.

No entanto, algum tempo depois o cliente me liga novamente, dizendo que o problema já está resolvido que é só falar com a fulana que ela vai dar andamento no procedimento.

Fui até o local de atendimento e pedi para falar com a fulana sobre o meu caso e ela explicou de forma breve que, realmente não seria possível me atender, que havia muitos documentos esperando para fazer o mesmo procedimento, bla bla bla. E que o sistema estava inoperante.

Eu já estava indo embora, quando um sobrenome escrito nos papéis chamou a atenção da fulana que me disse: “eu conheço esse sobrenome”. Respondi a ela que muito provavelmente, pois o filho daquela pessoa que tinha seu nome escrito no papel trabalhou naquele local por muitos anos e deveria ter sido seu colega de trabalho.

Diante dessa informação a fulana arregalou os olhos, pegou o papel da minha mão e me disse que tinha uma “outra maneira” de resolver aquele problema e que poderia deixar com ela toda a documentação que ela se encarregaria de agendar o atendimento.

Nota-se que o nosso querido Presidente apenas externou uma opinião que já se encontra enraizada na nossa cultura, e que no fundo, todo mundo concorda com ele: não podemos tratar o Sarney como uma “pessoa comum”.

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